O CITEVE está a cooperar com o INEGI, HPS Portugal e HPS (Alemanha) no desenvolvimento de uma solução de isolamento térmico para revestir satélites da ESA (Agência Espacial Europeia). A solução é constituída por várias camadas têxteis unidas por costura em forma de “cobertor” através de um método especificamente estudado e desenvolvido para o efeito. Publicamos abaixo um artigo, originalmente publicado no boletim informativo nº 32 do Inegi, com os pormenores deste projecto.
“Portugal e Alemanha estão a cooperar no desenvolvimento do fabrico de sistemas de protecção térmica passivos para satélites e componentes a serem usados em missões da European Space Agency (ESA). INEGI, HPS Portugal, CITEVE e HPS-GmbH são as instituições envolvidas num projecto financiado em 75% pelo Space Office da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e que envolve verbas globais na ordem dos 1.5 milhões de euros.
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Fotos: ESA
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Denominado Isolamento Multi-camada (MLI, do inglês Multi-layer Insulation), o sistema de protecção térmica consiste em “camadas de material reflector da luz solar que é tecido e costurado em forma de cobertor. O cobertor é depois usado para revestir o satélite ou componentes e, assim, evitar que a radiação solar aqueça demasiado o interior do satélite”, explica Pedro Portela, um dos investigadores responsáveis pelo fabrico do sistema. Além destas características, o MLI funciona, igualmente, como complemento |
para manter a temperatura do interior do satélite constante nas zonas em que este se encontra à sombra.
Fornecedores de MLI quase inexistentes
Apesar de ser um componente obrigatório em todos os satélites, na Europa contam-se pelos dedos de uma mão os fornecedores de MLI. De acordo com Pedro Portela, o motivo para tal escassez de fornecedores prende-se "com o facto de o fabrico dos cobertores ser um processo muito manual e laborioso, sendo quase comparável ao artesanato”. Por outro lado, a experiência prática de quem fabrica estes cobertores é essencial para garantir a qualidade do produto final que, sendo “flight hardware”, se exige muito alta. Mas além do processo de fabrico em si, o processo de documentação e garantia de produto “é também muito particular e exigente. Ora, é precisamente para compensar a falta de experiência em Portugal nestes dois aspectos que foi estruturado um projecto de transferência de tecnologia e saber entre Alemanha e Portugal no âmbito de um programa de financiamento parcial suportado pelo Space Office da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT)”, salienta o investigador. No consórcio deste projecto participa de forma muito relevante o Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal (CITEVE) o que vai de encontro ao espírito de colaboração da HPS-Lda com Institutos de ID+I e empresas Portuguesas.
| Apoiando-se na vasta experiência do CITEVE no manuseamento e utilização de têxteis técnicos e com o apoio do INEGI e da alemã HPS-GmbH, foi elaborado um plano de formação dos técnicos de produção, que incluiu mesmo a vinda de peritos da Alemanha para Portugal. Esses técnicos, garante Pedro Portela, “ficaram habilitados a fabricar sistemas MLI”.
Para já, e depois do sucesso das experiências desenvolvidas nas instalações do INEGI e CITEVE, o primeiro produto será aplicado num projecto |
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interno da HPS-GmbH para demonstração de tecnologias de plataforma de telecomunicações. Entretanto, futuros projectos que envolvam o fabrico de hardware de voo serão fabricados na recentemente concluída sala limpa de classe 100 000 (com condições ambientais para a produção de produtos utilizados na indústria espacial) instalada no INEGI.
Para o investigador português este é apenas “um exemplo de como a transferência de tecnologia e de experiência pode ser efectuado e como se podem assim criar valências novas, reciclando competências de indústrias mais tradicionais portuguesas e pondo-as ao serviço de uma indústria de alta tecnologia”, ideia que esteve na génese da criação da HPS Portugal, fruto de uma parceria entre o instituto português INEGI e a empresa alemã HPS GmbH.
A HPS - High Performance Structures, Gestão e Engenharia Lda, iniciou a sua actividade em 2007 e tem sede no Porto nas instalações do INEGI.”