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A indústria de Moda europeia tem vindo a ver a sua competitividade degradada nos últimos anos pela inundação do mercado mundial de artigos (quer acabados quer semiacabados) de produtores orientais, que baseiam o sucesso do seu negócio no factor baixo preço, permitido pelas reduzidas despesas nos seus factores produtivos, nomeadamente nos baixos salários.

O fenómeno é transversal, atingindo desde o têxtil e o vestuário ao design e à maquinaria e agravou-se significativamente a partir de 2005, quando a liberalização comercial foi concretizada após o desmantelamento de quotas, previsto no final ATV – Acordo Têxtil e do Vestuário, que tinha permitido um “phase-out” gradual para uma mais fácil adaptação das economias com muita representatividade deste sector.

Na impossibilidade de competir pelo preço, o valor acrescentado como factor de diferenciação do artigo europeu surge como a melhor resposta e deve basear-se na criatividade e na inovação: no produto, no processo, nos métodos organizacionais e na potenciação das ferramentas de marketing.

Sendo reconhecidamente um “trend-setter” em termos de inovação mundial, o Velho Continente pode, e deve, potenciar esta vantagem relativa, reforçada pela cooperação, que dilui o “handicap” da média e pequena dimensão de grande parte das empresas do sector.

Projecto Fashion to Future (F2F)

É neste contexto que a Comissão Europeia aprovou o projecto de acção coordenada Fashion to Future (F2F). A decorrer desde Dezembro de 2006 até Abril de 2008, surgiu ainda no âmbito do 6º Programa Quadro, migrando para o 7º (que por sua vez decorre de 2007 a 2013), numa tentativa de aproveitar os instrumentos de financiamento para actividades em I&D de forma a recuperar os lugares cimeiros do “ranking” do sector a nível internacional.

Pretende-se melhorar não só a competitividade desta indústria, como também permitir o seu crescimento sustentável e desenvolvimento social, mostrando às empresas como se podem imaginar novas formas de inovação na área da moda. Estes objectivos serão definidos tendo sempre como denominador comum a cooperação internacional e o trabalho em rede, tanto no espaço da UE como no dos seus países vizinhos.

No projecto F2F, que é coordenado pelo IPI, instituto italiano para a promoção industrial, estão envolvidos 38 organismos de 19 países – com oito antigos membros da UE, oito novos membros, um candidato (Turquia), e dois da zona euro-mediterrânica (Tunísia e Marrocos) –, entre associações sectoriais, agências governamentais, centros tecnológicos (entre os quais o CITEVE), e universidades.

Como forma de estimular uma aproximação às práticas de cooperação e de promover o envolvimento na geração de ideias para projectos de I&D, o F2F está a promover 60 eventos de geração de ideias para as PME que se incluem nesta área da Moda (têxtil e vestuário, calçado e acessórios), assim como 60 “workshops”, seminários e feiras temáticas.

É também permitido o acesso gratuito ao Project Lab, um serviço de apoio a candidaturas, que inclui a ajuda na procura de parceiros, assim como na informação sobre formas de financiamento já no âmbito do 7º Programa Quadro.

Da ideia ao projecto

Combinando as técnicas e ferramentas dos vários processos possíveis para que cada um dos intervenientes consiga levar a cabo cada um destes eventos, concluiu-se que a melhor metodologia para geração de ideias de I&D está condensada em três passos fundamentais: um primeiro passo de Geração de ideias, um segundo de Avaliação, e um terceiro de Selecção (ver figura 1), definindo o que deve estar a montante para a melhor prossecução dos respectivos objectivos e o que está a jusante e que se espera como “output”.

Explicando sucintamente o esquema, mas com algum detalhe, devemos considerar:

  • No primeiro passo – geração de ideias –, para promover o “brainstorming”, os participantes estão convidados a apresentar inicialmente ideias sobre o tema «como permanecer competitivo», onde os temas podem ir desde os novos produtos, novos processos ou novos mercados à preocupação com o ambiente. Nesta fase não é tão importante a crítica, mas deve ter-se uma preocupação quantitativa, e pode até construir-se ideias com base em outras. A liberdade deve imperar. Segue-se o registo destas (muitas) ideias num Relatório 1.
    Depois são escolhidas as ideias que maior probabilidade têm de atingir os objectivos pretendidos. Aqui deve ter-se em especial atenção se a ideia é realmente inovadora, se reforça a competitividade, se tem aplicação no espaço europeu, e se envolve cooperação interdisciplinar. Deve ser produzido então um Relatório 2 com estas ideias escolhidas.
  • No segundo passo – avaliação –, as ideias deste Relatório 2 são submetidas a uma avaliação crítica onde se identificam os pontos fortes e pontos fracos. Como este processo pode levar à alteração das ideias originais, espera-se aqui a produção de um Relatório 3, que deve ter a matéria-prima para a consolidação das melhores ideias que farão parte do passo seguinte.
  • No terceiro passo – selecção – escolhem-se as melhores ideias, considerando não só as apreciações do passo anterior, como os requisitos técnicos e formais das candidaturas ao 7º Programa Quadro, assim como as recomendações da Plataforma Tecnológica nesta matéria. Neste passo produz-se o Relatório 4, já com uma linguagem consonante com as das candidaturas dos projectos, designadamente com a descrição de objectivos e resultados.

O pólo de Famalicão do CITEVE recebeu um primeiro grupo de empresários para uma apresentação do 7º Programa Quadro, onde se debateram eventuais ideias no âmbito de I&D, iniciando o primeiro passo desta metodologia [ver notícia].



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